Segurança de Aplicação

Boas Práticas de AppSec para Instituições Financeiras

A segurança de aplicações é um pilar essencial para a proteção de dados e a prevenção de fraudes, especialmente no setor financeiro, que se tornou alvo constante de ataques visando o roubo de informações sensíveis. Com o avanço da tecnologia e a digitalização dos serviços, a superfície de ataque se expandiu, tornando APIs e sistemas mais vulneráveis a ameaças. É crucial entender como proteger essas estruturas para garantir a segurança e a confiança dos usuários.

Proteção de APIs: O Básico que Evita Grandes Riscos

As APIs são as principais interfaces de comunicação entre cliente e servidor, utilizadas em aplicativos móveis, websites, sistemas bancários e até mesmo para troca interna de informações entre microsserviços. No entanto, a falta de boas práticas de configuração, especialmente em APIs expostas, podem transformar essas interfaces em pontos de entrada para ataques.

  • Autenticação e Autorização: Implementar padrões robustos, como OAuth 2.0 e OpenID Connect, é uma barreira fundamental para garantir que apenas usuários e sistemas autorizados tenham acesso aos dados da API. Esses padrões permitem configurar tempos limitados para a validade de tokens e um modelo de Zero Trust, onde o acesso é restrito ao mínimo necessário.
  • Rate Limiting: Limitar o número de requisições por usuário em intervalos específicos é essencial para proteger a API contra abusos e ataques de negação de serviço (DDoS). Embora essa prática pareça básica, sua implementação é fundamental para a segurança do sistema.
  • Monitoramento Contínuo: Ferramentas de monitoramento, de SIEM e SOC, permitem identificar padrões anômalos, como aumento repentino de requisições ou tentativas de acesso a dados sensíveis. Ferramentas de análise comportamental e tecnologias como o Runtime Application Self-Protection (RASP), exemplificado por soluções como Falco, ajudam a detectar atividades suspeitas em tempo real.

Gestão de Vulnerabilidades: Detecção e Correção Ágil

Para reduzir a superfície de ataque, é fundamental adotar uma gestão contínua de vulnerabilidades. Algumas ações incluem:

  • Inventário de Aplicações: Um inventário atualizado das aplicações, classificadas por impacto no negócio, superfície de ataque, classificação de dados e potenciais ameaças, permite avaliar os riscos e orientar a gestão de vulnerabilidades.
  • Inventário de Componentes: É comum que o mapeamento de componentes de software seja negligenciado. Tecnologias como o SBOM (Software Bill of Materials), que registram detalhes sobre componentes e suas licenças, ajudam a evitar riscos de vulnerabilidades na cadeia de suprimentos, como o ataque de Dependency Confusion.
  • Análise de Código e Testes de Segurança: Adotar ferramentas de segurança como SAST (Static Application Security Testing) e DAST (Dynamic Application Security Testing) permite detectar falhas desde as primeiras etapas do desenvolvimento, uma prática conhecida como Shift Left.
  • Correção Prioritária: Implementar uma estratégia de priorização baseada no risco da instituição, corrigindo com urgência vulnerabilidades críticas em APIs de transações, é uma prática essencial para a segurança.

Segurança Contínua e Cultura de AppSec

A abordagem tradicional e reativa de segurança não é suficiente para acompanhar a velocidade das ameaças e a complexidade dos sistemas. A segurança deve ser contínua e integrada aos processos de desenvolvimento. Para instituições financeiras, a implementação de um Programa de AppSec é uma evolução natural para alcançar a maturidade em segurança.

  • Cultura de Segurança: Engajar todas as equipes, desde desenvolvedores até analistas de operações, é fundamental para criar um ambiente seguro e consciente das práticas de AppSec.
  • Automatização de Testes de Segurança: Automatizar testes de segurança permite identificar vulnerabilidades em um ritmo compatível com o ciclo ágil de desenvolvimento, e até mesmo validar automaticamente as regras de negócio.

Conclusão

A segurança de aplicações é essencial para instituições financeiras que desejam proteger as informações de seus clientes e evitar fraudes. Adotar práticas como a proteção de APIs, gestão de vulnerabilidades e integração com DevSecOps é crucial para minimizar riscos e fortalecer a maturidade em AppSec. Com o apoio de parceiros especializados, como a Conviso, bancos e fintechs podem garantir que suas aplicações estão protegidas contra ameaças, criando um ambiente digital mais seguro e confiável para os clientes.

About author

Articles

Cristiano Santos é Squad Leader de Consultoria na Conviso, especialista em análise de vulnerabilidades, DevSecOps, e Vulnerability Intelligence. Entusiasta de software livre e evangelista Linux, está sempre em busca de evolução contínua, além de palestrante e professor universitário.
Related posts
ProdutoSegurança de Aplicação

Segurança de aplicações com IA: como apoiar o desenvolvimento seguro

A segurança de aplicações com IA está redefinindo a forma como as empresas desenvolvem software…
Read more
ProdutoSegurança de Aplicação

Gestão de vulnerabilidades precisa de contexto

Quem trabalha com segurança de aplicações não sofre com a falta de dados — sofre com o…
Read more
ProdutoSegurança de Aplicação

Como agentes de IA especialista em AppSec aceleram o desenvolvimento seguro

A segurança de aplicações não começa na revisão de código — começa na forma como elas são…
Read more

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Conviso AppSec

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading